Era um dia quente, bem quente. Comprei meu maço de cigarros e segui andando, com aquele sol no meu rosto, queimando quase a minha alma... Andei. Se tem algo que eu fiz muito naquele dia, foi andar.
Eu vi o caos e também a paz; o caos que eu desejo ao abrir os olhos e acordar todos os dias, e a paz que eu conquisto e jogo fora só pra ter o prazer de lutar e conquistar denovo.
Cada um deles andava de um lado, junto comigo. Talvez meu destino estivesse passando por mim, talvez estivesse bem ali na minha frente, mas eu não notei. Eu só queria andar e sentir aquela sensação de ardência na minha garganta, enquanto tragava aquela fumaça desgraçada.
Aquele dia foi como aquelas manhãs frias de inverno que se transformam em tardes quentes de verão.
Me lembrou todos os malditos dias que eu acordei olhando pra janela, com o sol também na minha cara, me lembrando o quão livre eu não era.
Me lembrou o desespero que tomava conta de mim quando me dava conta que devia levantar e enfrentar mais um dia.
Cansei de ser um brinquedo nas mãos do destino que brinca de Deus com o acaso.
Procurei meus fantasmas, meus monstros imaginários, meus pesadelos, meus medos... Talvez eles mesmos sejam os responsáveis pela minha salvação... e pela minha decadência.
A contradição segue me transformando numa maluca.
As vozes familiares seguiram a dar seus conselhos e eu me joguei de cabeça num mar de risos.
Naquele dia, eu me joguei no precipício da insanidade e segui a dança mais longa, o caminho mais curto pro inferno...
Andei pelo corredor das almas aflitas, torturando a minha própria alma...
Deitei no chão, tendo a aflição e a paranóia como companhias, tentei esquecer um pouco da dor... E nem com três pedras de gelo o whisky desceu pela minha garganta.
Mais uma tragada, mais um grito em vão... Mais uma lágrima não chorada.
Sigo o roteiro dessa trama de baixo sucesso e baixo calão... Me encharco nas sujeiras que escapam entre palavras que saem da minha boca maliciosa.
Eles voltaram pra me buscar e me prender... Me torturar pro resto dos meus infelizes dias... Chegam calmamente, quase não os ouço... Sussurram aos meus ouvidos: "É hora de dormir..."
Entre gritos... Um instante surdo.
"Si tu savais comme je l'aime ! C'est mes abîmes que je sublime.
J'ai si peur de le perdre que j'ai vomi ma vie dans la sienne.
J'ai puni mon coeur par le feu de la géhenne."
By Bianca Morais S.
Intenso.Tem momentos em que subitamente estranho o mundo assim...como se estivesse de fora, olhando pela janela da sanidade subestimada, a loucura das pessoas normais.
ResponderExcluirFernanda
estes mu[n]dos de dentro e de fora, que ora afagam, ora vociferam, mas sempre apontam aos medos que erguem todas as distâncias entre nós, nós mesmos e os outros.
ResponderExcluiradmiro francamente a tua escrita!
beijinho!