Não esqueça de apanhar sua xícara de café na entrada, e fechar a porta quando sair... Se sair.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Confissão

11/11/11 - 17:10hrs




O silêncio é frio; não o encontro.
Constantemente fujo da minha realidade caótica, do meu mundinho doentio em busca de paz...
Onde a encontro? Eis a questão. Simplesmente não encontro. Não há paz.
Viajo entre o gosto doce do meu café e a fumaça do meu cigarro, atirada ao chão de qualquer lugar que eu faço de refúgio,
quando na verdade meu maior refúgio é minha quietude nas madrugadas oras frias, oras quentes...
O sol brilha lá fora, mas aqui dentro só faz frio... Acho que desaprendi muitas coisas, dentre as quais, "sentir".
Simplesmente sentir, chorar, sorrir... As tragédias acontecem perante meus olhos e os mesmos não são capazes de derramar uma única lágrima.
Tudo o que eu quero é ficar calada, em silêncio, mas as vozes perturbadoras seguem falando, sussurrando, chamando, pedindo...
Não quero falar, nem quero ouvir. Bocejo, e só quero sentir o sono me invadindo.
Céus, nem nos sonhos estou em paz! É tudo caos, é tudo irreversível, é tudo tão errado...
Ou talvéz eu seja a errada nesse mundo supostamente certo.
É difícil encontrar o que tanto procuramos, é difícil descrever exatamente o que se sente, estando no meu lugar.
Um misto das mais diversas sensações e frustrações me invade enquanto eu desejo ardentemente um corpo quente sob o meu, uma garrafa de uísque e solidão; também aceito um cigarro de brinde.
Oras amo, oras não amo; oras quero, oras não quero.
Cansei dessa dualidade que luta incansável dentro de mim. Cansei de só querer fazer as coisas certas, cansei de querer parecer certa num mundo completamente errado.
Cansei de enganar meus olhos e coração, cansei de sentir o que não quero, cansei também de não sentir;
Cansei de cansar, de ter motivos pra regredir, voltar atrás;
Não volto mais atrás nem por dois litros do seu mais caro uísque escocês acompanhados de um maço de Marlboro vermelho, meu bem.
Não volto a ser a mesma sonhadora e pseudo-revolucionária, não volto nem mesmo a dizer as mesmas coisas, me recuso.
A única verdade petulante, é a que permanece: todos os que eu conheço vão embora no fim, assim como já diz a música.
Não dividirei mais sensações, beijos, chocolates, cigarros, segredos e nem mesmo a tua cama, com a qual só dividi contigo nos mais alucinantes sonhos.
Tudo não passou de sonho, de devaneio, de surto temporário causado por sensação igualmente temporária.
Não faço mais promessas, afinal, nunca as cumpro.
Não faço mais declarações de ódio ou amor, afinal, elas nunca são bastante verdadeiras.
Não vou mais censurar a vagabunda que vos fala diretamente de dentro de mim, simplesmente porquê dessa vez, essa mulher baixa e suja vos fala nada mais que a verdade.
E qual é a verdade em meio à tantas contradições, afirmações e negações?
A verdade é que cansei, senhoras e senhores do júri.
Condenem-me à sua mais dura pena, pois eu mereço.
Desafiei a liberdade e a realidade, e não dá pra ter ambas as coisas ao mesmo tempo.
Não se pode andar pra sempre na linha amarela que divide o Ir e o Vir;
Não se pode andar a eternidade à trancos e barrancos com sua própria vida, quando essa lhe chama pra esquecer de tudo e viver.

By Bianca Morais

4 comentários:

  1. "Não se pode andar pra sempre na linha amarela que divide o Ir e o Vir;
    Não se pode andar a eternidade à trancos e barrancos com sua própria vida, quando essa lhe chama pra esquecer de tudo e viver."


    Sempre chega a hora de escolher entre o ir e o vir.

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  2. como em todas as confissões, paro, sento-me e escuto em recolhida reverência. os segredos são como os silêncios: almas que a noite molha e a candeia aquece na sua aparente invisibilidade.
    beijinho, bianca!

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  3. E tudo fica mais duro quando desaprendemos a sentir, mas vem um tempo em que se apresenta dois caminhos. É preciso ter paciência, calma e cuidado. que isso não falte pra ti em 2012.

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  4. No final é sobre viver, e viver bem, é claro. Acho que na maioria do tempo nós sobrevivemos e esquecemos de viver, simplesmente.

    Belo texto, aliás, maravilhoso texto.

    Feliz 2012 atrasado,rs.

    Beijos

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Obrigada pela atenção, responderei assim que possível! :D